PESCADOR DE SEREIAS Ruth Guimarães Para os meados de outubro, quando as chuvas mal começaram e o rio, tendo crescido e amarelado um pouco, principia de se apinchar debaixo das moitas, aperparando local de traíra, então é tempo de cascudo. Pois então a gente foi caçar cascudo. A ida foi um farrancho alegre, houve risos, anedotas, falatório, pessoal contador de vantagem abrindo os braços, assim, para mostrar tamanho de peixe. E cantoria, apesar de que brasileiro não é gente de muito cantar. Até dona Adelaide, que gosta mesmo de pescar é de caniço e samburá, foi; até o Toninho do Ciano, pescador afamado dos dourados de dezessete quilos e mais, foi. Até João Serafim, que uma vez andou correndo da polícia, porque virou o peixame todo do rio de barriga pra cima, com uma carga braba de timbó, foi. Esse João foi o tal que jogou a rede certa noite, pesou no arrasto, será muito peixe? que ele se perguntou, cismado. Era sereia. A coitadinha ve...
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